Publique o que Paga (POQP) é uma coligação global da sociedade civil que luta pela transparência no que se refere aos pagamentos, recebimentos e gestão das receitas das receitas provenientes das indústrias petrolíferas, mineiras e do gás.
Não obstante os biliões de dólares de receitas recebidos do petróleo, do gás e da extracção de minério, Os cidadãos de mais de 50 países ricos em recursos naturais em todo o mundo continuam mergulhados em pobreza. Se os governos gerissem estas receitas de forma transparente e eficaz, estas poderiam contribuir para o êxito do crescimento da economia e para reduzir a pobreza. Porém, isto parece ser mais a excepção do que a regra.
Em Dezembro de 1999, a Global Witness publicou um relatório designado “A Crude Awakening”, uma denúncia sobre a manifesta cumplicidade dos sectores do petróleo e da banca na pilhagem dos bens estatais durante os 40 anos da guerra civil de Angola. Ficou claro que a recusa por parte das principais companhias petrolíferas multinacionais de publicar as suas informações financeiras ajudou e induziu a má administração e o desfalque das receitas do petróleo pela elite do país. O relatório terminava com um apelo público às companhias petrolíferas que operam em Angola para “publicarem o que pagam”.
No entanto, provou-se que a falta de transparência nas indústrias extractivas era também uma grande preocupação noutros países ricos em recursos naturais, mas pobres. Portanto, em Junho de 2002, a Global Witness em conjunto com outros membros fundadores, a Agência Católica para o Desenvolvimento (CAFOD), Open Society Institute, Oxfam GB, Save the Children UK e a Transparency International UK, lançou a campanha POQP em todo o mundo, apelando a todas as empresas de recursos naturais para divulgarem os seus pagamentos aos governos por cada país onde operam.
Hoje em dia, os membros da POQP compreendem 69 países, com coligações nacionais afiliadas em 27 destes países, tendo muitas delas os seus próprios coordenadores nacionais. Os representantes de toda a coligação reúnem-se de dois em dias anos para uma reunião internacional sobre estratégias.
Tendo em conta o extraordinário aumento da coligação nos últimos anos, foi estabelecido um Grupo Consultivo Estratégico (GCE), em 2006, para controlar o planeamento estratégico e assegurar a supervisão mais sistemática da implementação das actividades de defesa de causas. O GCE é composto por um largo espectro de membros da POQP de todo o mundo.
A POQP tem um Coordenador Internacional (CI), um Director de Programas e um Director de Informação e Intervenção em Londres, bem como um Coordenador para África que trabalha nos Camarões.
Existem coligações nacionais afiliadas da POQP em Azerbaijão, Camboja, Camarões, Canada, Chade, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, França, Gabão, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Indonésia, Cazaquistão, República do Quirguistão, Libéria, Mali, Mauritânia, Mongólia, Níger, Nigéria, Noruega, Serra Leoa, República do Congo, Timor-Leste, Estados Unidos e Zâmbia.
Para além destas coligações, existem também organizações individuais afiliadas da POQP em Algéria, Angola, Austrália, Bélgica, Bolívia, Botswana, Brasil, Burundi, Chile, República Checa, Equador, Guiné Equatorial, Geórgia, Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Quénia, Lesoto, Mauritânia, Marrocos, Moçambique, Países Baixos, Paquistão, Peru, Filipinas, Polónia, Portugal, Roménia, São Tomé e Príncipe, Senegal, Eslováquia, África do Sul, Espanha, Sudão, Suazilândia, Suíça, Tanzânia, Uganda, Reino Unido, Venezuela, Zimbabué.
A POQP insta as empresas a “publicarem o que pagam” e os governos, a nível nacional e local, a “publicarem o que ganham”, como primeira fase indispensável para uma gestão mais responsável das receitas dos recursos naturais.
Se as empresas divulgarem o que pagam e os governos divulgarem o que recebem dessas receitas, neste caso, os membros da sociedade civil nos países ricos em recursos naturais terão a oportunidade de comparar ambos os dados e, deste modo, responsabilizar os seus governos pela gestão desta inestimável fonte de receitas.
As empresas extractivas e as autoridades locais devem também divulgar informações sobre os investimentos sociais (por exemplo, infra-estruturas e programas educativos) e os pagamentos aos orçamentos locais efectuados pelas empresas extractivas.
Além disso, a POQP reivindica que a divulgação pública dos contratos empresariais do sector extractivo e dos procedimentos de licenciamento seja realizada com transparência.
A coligação POQP dirige-se:
Para mais informações, por favor contacte Radhika Sarin por e-mail ou pelo telefone +44 20 7031 0204.